Início 9 Destaques 9 Sociedade civil pressionou por isonomia global, apontou violações e alternativas

Últimas notícias

desinformante

Sociedade civil pressionou por isonomia global, apontou violações e alternativas

desinformante
COMPARTILHAR:

Esta matéria faz parte da série “Retrospectiva Eleições 2022 e desinformação”

As mobilizações de organizações e iniciativas civis começaram logo nas primeiras semanas de 2022. A partir do dia 5 de janeiro, o Sleeping Giants iniciou a campanha #TwitterApoiaFakeNews com o objetivo de pressionar a plataforma para aplicar no Brasil as iniciativas no combate à desinformação já existentes em outros países.

Após mobilização nas redes sociais, o Twitter anunciou a implementação por aqui da ferramenta de denúncia de desinformação, disponível nos Estados Unidos, Austrália e Coréia do Sul. A medida permitiu que usuários brasileiros também avisassem à plataforma sobre informações falsas ou incorretas circulando em tweets específicos.

O diretor jurídico e de pesquisas do Sleeping Giants Brasil, Humberto Ribeiro, afirmou que, com a proximidade das eleições, houve uma mudança de foco da iniciativa para focar nas atividades e trabalhos das plataformas de redes sociais.

“Desde o início de 2022, o Sleeping Giants entendeu que esse era um ano que deveríamos interromper as nossas campanhas tradicionais de desmonetização e focar em pressão sobre as plataformas para a adequação dos serviços, termos de uso e das ferramentas de segurança no Brasil”, comentou Humberto.

Em fevereiro, a iniciativa brasileira direcionou seus esforços ao Youtube e Google reivindicando a atualização da política de integridade eleitoral na busca de vedar conteúdos de desinformação ou alegações de fraude contra o processo eleitoral após a certificação dos resultados das eleições. 

A campanha continuou em junho com o apoio do Intervozes, desta vez, pressionando o Google a dar mais transparência aos relatórios de publicidade política, implementados no Brasil este ano. Segundo as duas organizações, os relatórios chegaram por aqui com quatro anos de atraso em relação aos países do norte global e sem todas as funcionalidades disponíveis por lá.

Frances Haugen no Brasil

No dia 3 de julho, em um dos acontecimentos mais importantes do ano, a delatora do Facebook, Frances Haugen, veio ao Brasil para uma série de diálogos com a sociedade civil e o Estado. A engenheira norte-americana participou de atividades na favela da Maré, no Rio de Janeiro, e debateu sobre a transparência das plataformas digitais e o impacto disso na desinformação.

Ainda na mesma semana, mais de 90 organizações da sociedade civil e instituições ligadas à proteção da democracia e ao direito à informação lançaram a campanha Democracia Pede Socorro. No documento, os signatários – incluindo o *desinformante – avaliaram como insuficientes as políticas implementadas pelas plataformas digitais. 

Visando contribuir para um processo eleitoral mais saudável, a campanha apresentou um conjunto de recomendações que deveriam ser seguidas pelas empresas para a manutenção da integridade eleitoral.

Também em julho, no dia 20, a Artigo 19 e o International Republican Institute e National Endowment for Democracy realizaram o seminário “Enfrentando a desinformação sobre processos eleitorais no Brasil: mapeando possibilidades e estratégias para a defesa da democracia”. O evento contou com a participação de representantes do Instituto Marielle Franco, PerifaConnection, Sleeping Giants e das empresas Meta e Twitter.

Com o início das campanhas eleitorais em agosto, intensificou-se a divulgação de pesquisas e levantamentos realizados por organizações civis e institutos acadêmicos visando o monitoramento das ações das plataformas e do contexto de desinformação brasileiro.

No dia 15, por exemplo, a instituição internacional Global Witness divulgou o primeiro do que seria uma série de três testes averiguando a veiculação de anúncios políticos pagos contendo informações falsas sobre as eleições brasileiras.

Neste momento, foram testados dez anúncios com desinformação nas plataformas da Meta. Mesmo violando regras do Facebook, apenas um deles – promovendo a data errada das eleições para grupos indígenas – foi retido para análise e liberado seis dias depois sem nenhuma interferência.

A Global Witness, inclusive, foi uma das 26 organizações internacionais que assinaram uma carta aberta às empresas de redes sociais, como TikTok e Meta, expressando preocupação com o contexto de desinformação que estava se desenhando para as eleições brasileiras. O documento foi divulgado em apoio à campanha Democracia Pede Socorro.

A semana da independência também foi um período importante durante a campanha de primeiro turno. Em um momento em que o então presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados incitavam violência ao convocar apoiadores a participar de ato no 7 de setembro, organizações internacionais e centros de pesquisa apontavam desinformação e discursos de violência circulando livremente nas redes sociais.

De acordo com a Sum of Us, a Meta continuou aprovando anúncios pagos que lançavam dúvidas sobre a integridade eleitoral e continham discursos de ódio. Já o Núcleo de Pesquisas em América Latina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (NUPESAL-UFRGS) monitorou as mensagens convocatórias e identificou conteúdos com potencial para afetar o processo eleitoral brasileiro.

À medida que a votação do primeiro turno se aproximava, mais pesquisas e relatórios foram lançados publicamente. A Global Witness divulgou seu segundo relatório de testes, apontando que a Meta ainda não conseguia barrar completamente os anúncios com desinformação, e o Data Privacy denunciou disparos em massa, proibido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), realizado por Rodrigo Garcia (PSDB), candidato à eleição ao governo de São Paulo.

Faltando quinze dias para o pleito, a campanha Democracia Pede Socorro evidenciou como as plataformas, exceto o Twitter, não estavam preparadas para conter chamados à sublevação contra a ordem democrática ou à interferência na transmissão pacífica de poder que não apelassem explicitamente à violência.

Pesquisadores monitoraram violações

Irregularidades nos anúncios políticos veiculados pelo Google, retransmissão no Whatsapp de vídeos do Kwai e TikTok com desinformação e o monitoramento das principais fake news às vésperas das eleições foram algumas das ações desenvolvidas pelos pesquisadores do NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD).

No segundo turno, as instituições acadêmicas reforçaram os monitoramentos sobre os cumprimentos das políticas em relação aos compromissos estabelecidos antes das eleições. O NetLab identificou que o Twitter, WhatsApp e Telegram foram os campeões em desinformação nesse período e o INCT.DD mapeou os posts que violaram as regras e descumpriram decisões judiciais. Os gastos dos candidatos à presidência em anúncios pagos também foram levantados por pesquisadores.

Violência política, como assédio eleitoral e situações com uso de armas, foi um dos principais destaques evidenciados às vésperas da votação, principalmente após o caso envolvendo a deputada federal Carla Zambelli (PL). A Anistia Internacional Brasil indicou um aumento de 40% de casos em relação ao primeiro turno e a Transparência Eleitoral Brasil confirmou o acirramento político.

Este ano, a mobilização civil também ganhou o apoio de figuras conhecidas nas redes sociais. Influenciadores como o empresário e youtuber Felipe Neto utilizaram seus perfis com grandes audiências para combater a desinformação e manter a integridade eleitoral. Os vídeos gravados por Neto, que desmentem fake news divulgadas nas plataformas, chegaram a acumular de 4 a 7 milhões de visualizações.

COMPARTILHAR:
0
Would love your thoughts, please comment.x