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Às vésperas das eleições de meio mandato, EUA ainda convivem com a mentira do “Stop the Steal”

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À medida que o Brasil vem lidando com manifestações antidemocráticas fundamentadas em teorias da conspiração, os Estados Unidos também passam por algo parecido às vésperas das eleições de meio mandato, que irão acontecer na próxima terça-feira (8). Por lá, narrativas de fraudes nos resultados buscam deslegitimar previamente o processo eleitoral, refletindo ainda os efeitos da invasão do Capitólio em 2021 e da desinformação espalhada pelo ex-presidente Donald Trump.

Em levantamento realizado pelo jornal europeu POLITICO, nos últimos três meses, dezenas de grupos locais em estados como Arizona, Michigan e Geórgia espalharam teorias negacionistas envolvendo suposta fraude eleitoral, além de pedir aos eleitores que tomassem medidas pessoalmente.

Algumas das acusações inverídicas incluíram acusações de que as cédulas seriam adulteradas e os eleitores seriam privados de direitos. Segundo o veículo, as alegações relembram o chamado Stop the Steal (Pare o roubo, em português), movimento criado pela extrema-direita norte-americana ainda em 2020 com o objetivo de acusar Joe Biden de ter roubado as eleições presidenciais.

A influência de Trump neste processo é clara não só por ter sido o principal beneficiário do movimento antidemocrático que influenciou a invasão ao Capitólio, mas também por impulsionar a desinformação. 

No dia primeiro de novembro, o ex-presidente alegou em sua rede social Truth (ainda não disponível no Brasil) que já observava os primeiros sinais de fraudes no sistema de votação pelo correio na Pensilvânia, informação desmentida pelas autoridades locais. O empresário também nunca admitiu a derrota nas eleições de 2020.

Câmara negacionista 

Os discursos de Trump não afetam só o eleitorado. Ainda no início de outubro, o Washington Post apontou que dos 569 candidatos republicanos que irão concorrer a cargos em nível federal e estadual, 291 deles já negaram ou questionaram o resultado da última eleição presidencial, repercutindo falas e posicionamentos do ex-presidente. Esse número representa 51% do total dos políticos pretendentes do partido.

Com grande parte dos candidatos tendo chances reais de conseguir ganhar em seus respectivos estados, o jornal afirma que as implicações ainda serão duradouras. Pois, uma vez assumindo assentos na Câmara norte-americana, os políticos negacionistas serão os responsáveis por monitorar as próximas eleições presidenciais de 2024, quando o próprio Trump possivelmente concorrerá como candidato.

“Se os republicanos assumirem o controle da Câmara, como muitos analistas políticos preveem, os negadores das eleições terão enorme influência sobre a escolha do próximo presidente do país, que por sua vez poderá presidir a Câmara em uma futura eleição presidencial contestada”, analisa o Post.

O presidente Joe Biden chegou a advertir, em Washington, sobre os perigos que a democracia está passando no país. 

No pronunciamento Biden declarou: “Há candidatos disputando todos os níveis de cargos que não se comprometem a aceitar os resultados das eleições das quais participam. Esse é o caminho para o caos. Não tem precedentes. Você não pode amar seu país só quando vence.”

Os perigos da desinformação à manutenção da integridade democrática também é considerada pelas próprias autoridades de segurança eleitoral dos EUA. A diretora da Agência de Segurança Cibernética, Jen Easterly, diz que a proteção do sistema de votação do país se tornou cada vez mais desafiador.

Mesmo reiterando que não há evidências de que a infraestrutura eleitoral norte-americana tenha sido alterada para impedir a votação ou a contagem de votos, as autoridades consideram a ameaça interna maior do que nunca, com possibilidade de ameaças físicas e intimidações direcionadas aos funcionários eleitorais.

As plataformas de redes sociais, como no Brasil, publicaram compromissos para a proteção da integridade eleitoral norte-americana contra desinformação e violência política. Porém, pesquisadores e especialistas, como o Centro de Negócios e Direitos Humanos da Universidade de Nova York, já atestaram que as medidas não foram suficientes para impedir a circulação de narrativas fraudulentas nos EUA.

Mídia promove imunização informacional sobre resultados

Frente ao cenário com a presença dessas teorias conspiratórias e falsas alegações de fraudes, a mídia norte-americana se prepara para lidar com possíveis contestações à integridade democrática no país. 

O colunista do Poynter, Tom Jones prevê que a demora dos resultados eleitorais servirá de insumo para impulsionar essas narrativas. Por conta de questões envolvendo logística na tabulação dos votos, por exemplo, é possível que um candidato possa avançar ou retroceder consideravelmente ao longo de um ou dois dias, prato cheio para teóricos da conspiração.

Dessa forma, nas palavras de Jones, neste ano “é mais importante do que nunca que as organizações de notícias não cometam erros quando se trata de relatar os resultados das eleições. As sementes da dúvida em nossas eleições já foram plantadas por Trump, seus apoiadores e muitos (principalmente à direita) que, sem nenhuma prova, acreditam que a única maneira de perder é se forem enganados”.

A Associated Press já começou um processo de imunização informacional (prebunking, em inglês) com uma série de matérias explicando não só como funciona o processo de votação, mas também sobre a divulgação dos resultados pelo veículo de comunicação.

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