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maio 9, 2023 | Destaques, Notícias

Google quebra compromisso e lucra com desinformação climática

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O Google está lucrando com anúncios veiculados em vídeos de desinformação climática no Youtube, violando o próprio compromisso de proibir publicidade programática em conteúdos sobre o tema. Essa foi uma das descobertas trazidas no relatório “Youtube’s Climate Denial Dollars” (Dólares de negação do clima do Youtube, em tradução livre), realizado pelo pelo CAAD (Climate Action Against Disinformation), uma coalizão internacional de 50 organizações compromissadas em combater a desinformação climática, e o CCDH (Center for Countering Digital Hate).

Pesquisadores das entidades identificaram 200 vídeos de língua inglesa na plataforma que contêm desinformação negando as mudanças climáticas e que atingiram, ao total, mais de 70 milhões de visualizações. Dos conteúdos encontrados, 100 deles possuíam anúncios sendo veiculados. As publicações foram encontradas por meio de buscas às palavras-chave “farsa climática” e “fraude climática”.

Como apontado pelo documento, isso fere o compromisso do Google realizado em outubro de 2021, em que a empresa anunciou uma nova política de monetização, proibindo ads e o repasse de verba para usuários parceiros em “conteúdos que contradizem o bem estabelecido consenso em volta da existência e causas das mudanças climáticas”. Informações que negam as mudanças climáticas também não são permitidas na política de comunidades para publicadores de conteúdo.

Propagandas de marcas como a norte-americana Tommy Hilfiger e o portal jornalístico, POLITICO, foram alguns dos anúncios estampados em vídeos que questionam a relação entre as emissões de CO2 e o aumento da temperatura global ou que duvidaram dos relatórios lançados pelo IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), uma das autoridades internacionais sobre mudanças climáticas.

“Em relação a ódio, desinformação e perigos a crianças, nós vemos plataformas de tecnologia repetidamente fazendo promessas que elas não cumprem. Políticas de plataforma só têm sentido se elas são cumpridas”, trouxe o relatório, disponível em inglês aqui.

A pesquisa também mostrou que outros tipos de desinformação ambiental estão recebendo os anúncios na plataforma, como vídeos que promovem o chamado “discurso de atraso climático”, que consiste na aceitação da crise ambiental, mas que promove a inércia ou o questionamento aos esforços aplicados para conter tal crise. Esse tipo de conteúdo promove soluções falsas para lidar com as mudanças climáticas ou afirma que é impossível resolver a situação. 

Durante a coleta dos dados, o YouTube removeu anúncios de apenas oito vídeos, dois deles após os pesquisadores sinalizarem à empresa. 

Ao *desinformante, o Youtube afirmou: “Em 2021, lançamos uma nova política que proíbe explicitamente a exibição de anúncios em conteúdo que promova alegações falsas sobre a existência e as causas das mudanças climáticas, elaborada em conjunto de especialistas e fontes autorizadas em ciência do clima. Permitimos o debate sobre políticas ou discussões sobre iniciativas relacionadas ao clima, mas quando o conteúdo cruza a linha da negação da mudança climática, removemos a veiculação de anúncios nesses vídeos.”

Organizações cobram do Google a aplicação do compromisso

O estudo das organizações pressiona o Google a seguir o compromisso estabelecido em 2021. Mais de um ano e meio após a publicação da promessa, o relatório afirma que a big tech “deve começar a aplicá-la de maneira proativa e sistêmica, refletindo seu tamanho e recursos disponíveis. Se podemos encontrar esse conteúdo, o Google também pode”.

Além disso, é sugerida a ampliação do que é entendido como desinformação climática, com o objetivo de agregar, por exemplo, conteúdos de discurso de atraso climático e outros termos levantados pelo CAAD.

Em abril, outra organização internacional, a Global Witness, também mostrou que os cientistas climáticos estavam sendo alvo de ataques de ódio em plataformas como Twitter e Facebook, ações que fazem parte do movimento de negação das mudanças climáticas. Na ocasião, a entidade afirmou: “Em vez de permitir um ambiente prejudicial, eles devem ser mais rápidos para agir sobre o conteúdo que viola claramente suas políticas e realizar avaliações de impacto de direitos humanos de seus processos”.

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