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57% dos eleitores evangélicos de Bolsonaro acham que Lula vai fechar igrejas

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A desinformação de cunho religioso tem sido uma aposta de grupos políticos nestas eleições. Em janeiro deste ano, a pesquisadora Magali Cunha antecipou que a perseguição religiosa seria uma pauta relevante durante a campanha eleitoral e, na semana das eleições, uma pesquisa Genial/Quest mostra que 34% dos eleitores evangélicos e 14% dos católicos  acreditam na informação falsa que “Lula pretende fechar igrejas”.

Os pesquisadores fizeram a sondagem entre eleitores declarados de Bolsonaro, Lula, outros candidatos e indecisos. Dentro do universo dos entrevistados evangélicos e que declararam voto em Bolsonaro, 57% deles dizem ser verdade a afirmação “Lula pretende fechar igrejas”. O número cai para menos da metade entre os eleitores de outros candidatos, 25% deles creem na desinformação. Entre os eleitores de Lula, apenas 4% acreditam na afirmação e entre os indecisos 22% acham que é verdade que ex-presidente vai fechar igrejas.

“Este tema da perseguição religiosa afeta profundamente as pessoas porque foge da pauta mais racional ligada à sobrevivência. É ligada ao imaginário de resistência dos cristãos e remonta a um período distante da história”, afirma Magali Cunha, doutora em Ciências da Comunicação e editora geral do coletivo Bereia.

.Segundo ela, esta fakenews foi usada pelo ex-presidente Fernando Collor na campanha de 1989 contra Lula, que representaria o comunismo que fecharia igrejas. Depois da ascensão do PT ao poder, o tema desapareceu dando lugar à pauta moral, que foi crucial nas eleições de 2018. Em 2020, segundo Cunha, a desinformação sobre fechamento de igrejas foi trazida para as eleições municipais e se fortaleceu ainda mais neste pleito de 2022. 

“O impacto desta desinformação é maior na base fiel ao atual presidente porque há uma liderança nas grandes corporações religiosas e também influenciadores digitais que estão com este discurso desde o ano passado. Usam este viés da liberdade religiosa e sabem construir esta abordagem”, analisa Magali Cunha. 

A pesquisa do Ganiel/Quest também questionou os entrevistados sobre a afirmação “Bolsonaro pretende intervir no STF”. No geral, 28% responderam acreditar na afirmação, não havendo grande diferença no recorte religioso: 28% dos católicos, 27% dos evangélicos e 32% das pessoas com outra religião ou sem religião classificaram a questão como “verdade”. Entre os evangélicos especificamente, 36% dos que declararam voto em Lula acreditam na intervenção.

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