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Eleições na Venezuela: desinformação e restrição de informações a jornalistas

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No próximo domingo (28), a Venezuela realizará suas eleições presidenciais em meio a campanhas desinformativas focando tanto a base governista como a oposição. Jornalistas também denunciaram desafios na cobertura do pleito, com cenário opaco de informações, sem acesso aos candidatos e fontes oficiais. Ataque às eleições brasileiras vindo do presidente Nicolás Maduro, que tenta a terceira reeleição, também marca esta reta final da corrida eleitoral.

O jornalista e coordenador do Observatório Venzuelano de Fake News, León Hernández, avalia que o contexto eleitoral do país “tem sido suscetível a campanhas de desinformação destinadas a manipular o eleitorado”. De acordo com León, os próprios agentes públicos e porta-vozes das instituições estatais proliferam discursos falsos. Além disso, há anúncios pagos com conteúdos políticos em plataformas como YouTube, afirmando que os líderes de oposição são “inimigos públicos” e “a causa da maioria dos problemas do país”.

A agência de checagem Cotejo também destacou a desinformação que ocorre focando em figuras de oposição da política venezuelana. De acordo com a organização, desde a confirmação da data das eleições, no dia 5 de março, houve um aumento de informações falsas circulando no debate público do país. Figuras como María Corina Machado, uma das principais figuras contrárias a Maduro, e Edmundo González Urrutia, que lidera as pesquisas de intenção de votos, são os principais alvos das campanhas desinformativas.

Mas desinformações para descredibilizar Maduro e apoiar figuras de oposição também existem. Um vídeo que se tornou viral no Facebook, YouTube e X mostrava uma suposta mobilização de indígenas venezuelanos em apoio à María Corina Machado. “Indígenas Wayuus de Zulia apoiando María Corina Machado. Pedir a Deus que deixe Maduro e todo o seu grupo”, dizia a mensagem que acompanhava as imagens. De acordo com a agência de checagens Efe Verifica, o vídeo é na verdade uma mobilização de indígenas brasileiros.

Um outro vídeo, que circulou nas redes, trazia o presidente Maduro afirmando que havia uma “grande probabilidade da direita vencer as eleições”. A peça, porém, é uma alteração de uma gravação de 2018 em que Maduro dizia que visitou vários locais do país, sem citar a probabilidade de derrota, como mostrou a organização de checagem Chequeado.

Dez candidatos estão concorrendo às eleições venezuelanas deste domingo. De acordo com a BBC, pesquisas de intenção de voto indicam que Nicolás Maduro, que tenta seu terceiro mandato, tem chances reais de derrota. O ex-diplomata Edmundo González Urrutia, lidera com mais de 50% de intenções de voto.

Jornalistas reclamam de restrição de informações

Em uma live promovida pelo Observatório Venezuelano de Fake News e pelo Cotejo.Info, nesta semana, jornalistas do país levantaram desafios que estão encontrando na cobertura eleitoral. Segundo os profissionais, essas eleições estão sendo marcadas por restrições de informações tanto por parte da base governista como da oposição.

“Temos nos apoiado em diversas contas de ONGs ou meios de comunicação aliados, tentando encontrar qualquer informação que ocorra no dia para apresentar um resumo aos nossos seguidores”, disse Andrea González, do portal Runrunes.

A falta de acesso aos candidatos presidenciais é outro problema. Questionada sobre como é a cobertura deste processo eleitoral, a jornalista Luna Perdomo explicou que praticamente não há interação com os candidatos, principalmente com o Maduro.

“Principalmente com o candidato à reeleição Nicolás Maduro é muito difícil. Nenhum jornalista dos meios de comunicação nacionais ou internacionais foi autorizado a cobrir as atividades da campanha. Há outros nove candidatos e alguns são mais abertos que outros, mas no final como jornalista é difícil”, afirmou a profissional.

Maduro questiona integridade das eleições brasileiras

A reta final das eleições também está sendo marcada por falas polêmicas do atual presidente. Na semana passada, durante um comício, Maduro afirmou que o país poderia enfrentar um “banho de sangue” e uma “guerra civil” caso ele não seja reconduzido ao cargo.

Nos últimos dias, o líder venezuelano também questionou as eleições brasileiras, colombianas e norte-americanas. Sem levantar provas, o presidente disse que o pleito nesses países, incluindo o Brasil, não era auditável.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) respondeu às falas de Maduro nesta quarta-feira (24), afirmando que o boletim de urna é “totalmente auditável”, além de desistir de enviar observadores para acompanhar o desenvolvimento do pleito no país.

“Em face de falsas declarações contra as urnas eletrônicas brasileiras, que, ao contrário do que afirmado por autoridades venezuelanas, são auditáveis e seguras, o Tribunal Superior Eleitoral não enviará técnicos para atender convite feito para acompanhar o pleito do próximo domingo”, afirmou o tribunal em nota.

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