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@thiagoilustrado

mar 4, 2022 | Destaques, Notícias

Plataformas restringem acesso a mídias estatais russas

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Matéria atualizada em 11 de março de 2021

A invasão da Rússia na Ucrânia já dura nove dias e, além da escalada de violência e mortes, surge também uma escalada de sanções a fim de pressionar o estado russo a recuar. As medidas que sempre se fizeram presentes em momentos de tensão ganham um viés novo e intensificado no conflito atual. As sanções econômicas e políticas são endossadas por sanções tecnológicas e, na última semana, diversas empresas se posicionaram contra essa ofensiva e plataformas restringem conteúdo russo e impedem anúncios, por exemplo (veja as principais medidas aqui). O intuito delas, de acordo com os comunicados oficiais, é reduzir a desinformação no contexto da guerra.

“Se tínhamos antes um debate sobre a questão de moderação de conteúdo ou de ação em relação a algo que acontecia internamente na plataforma, agora estamos pensando também em uma dinâmica do que acontece externamente. Não é, por exemplo, restringir a propaganda russa, é impedir que ela chegue, então tem um impacto na origem, digamos assim. É uma dinâmica complexa que a gente não sabe como vai parar”, aponta Christian Perrone, Head de Direito e Tecnologia e Govtech do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS – Rio), ressaltando que as plataformas ganharam papel relevante no processo de mediação imposto pela guerra. 

Para o especialista em direito e tecnologia, essas medidas surgiram – além da tentativa de manter o ambiente digital livre de desinformação, conforme divulgado pelas empresas – das pressões no âmbito popular a partir dos usuários, mas também de investidores e mercados de ações. “Tais sanções também só são possíveis em um período extraordinário como o de guerra. É impensável essa relação de você impactar uma empresa estatal de um outro país em outra situação ”.

Outro fator que pode ter facilitado a adoção dessas medidas é o fato de a Rússia já ter uma relação estremecida com algumas plataformas. Em janeiro deste ano, por exemplo, entrou em vigor no país uma legislação que obriga as empresas a terem uma sede no país. Além de outras retaliações como a baixa velocidade do Twitter no país.

De acordo com Perrone, sanções tecnológicas caminham em uma linha tênue entre o que é ou não aceitável, visto que censurar canais estatais pode ter o objetivo de frear desinformação, mas acertar em uma falta de acesso a informações também. “Eu acredito que a ação das plataformas, de um modo geral, ela é mais positiva do que negativa, mas tem que ter muito cuidado em exigir mais ações sendo que podem ter impactos deletérios no acesso à informação”, diz o pesquisador, que defende o uso de instituições para mediar e equilibrar essas ações das big techs.

A partir desse cenário a maioria das plataformas restringem conteúdo russo, confira a lista das principais medidas tomadas pelas empresas de tecnologia nesta última semana:

*A lista completa e atualizada você confere aqui.

Meta

A Meta – grupo que reúne as empresas Facebook, Instagram e WhatsApp – divulgou as medidas que estão sendo tomadas em relação à invasão russa. O grupo restringiu o acesso ao RT e Sputnik, mídia estatal russa, em toda União Europeia  e do Reino Unido a pedido de autoridades do continente. Além disso, a empresa está rebaixando em todo o mundo o conteúdo de páginas no Facebook e Instagram de meios de comunicação do estado russo e postagens que contêm links para esses sites, fazendo com que esse conteúdo seja encontrado com mais dificuldade.

A empresa também está proibindo anúncios da mídia estatal russa e removendo a capacidade de monetização de suas contas. A plataforma também anunciou a expansão do programa de verificação de fatos em russo e ucraniano e a intensificação do monitoramento da plataforma para atuar em tempo real em problemas detectados.

Os esforços da big tech também incluem a criação de uma linha dos Serviços de Emergência do Estado da Ucrânia no WhatsApp e a instalação de recursos de segurança para usuários ucranianos.

Atualização 11/03:  Ainda em relação ao conteúdo controlado pelo estado russo, a plataforma está rotulando esses links para informar que, caso acesse, será redirecionado para uma mídia estatal. Assim, os stories que tenham um adesivo de link apontando para um site de mídia controlado pelo estado russo serão também rebaixados na seleção de stories.

“Por fim, não recomendamos postagens de contas de mídia controladas pelo Estado russo no Explore e no Reels, e estamos dificultando a localização dessas contas na Busca”, destacou a empresa em comunicado oficial.

 

Google

Em 1º de março o Google bloqueou os canais do YouTube conectados a RT e Sputnik em toda a Europa, além da impossibilidade de esses canais monetizarem qualquer conteúdo na plataforma. A empresa também limitou as recomendações para os canais financiados pelo estado russo e removeu, no YouTube, canais e vídeos com práticas enganosas.

“Estamos trabalhando não apenas para reduzir o alcance de informações não confiáveis, mas também para disponibilizar informações confiáveis. Nossos sistemas são construídos para priorizar as informações mais confiáveis em tempos de crise e notícias em rápida mudança. Quando pessoas de todo o mundo pesquisam tópicos relacionados à guerra na Ucrânia na Busca ou no YouTube, nossos sistemas exibem informações, vídeos e outros contextos importantes de fontes de notícias confiáveis”, destacou o Google em comunicado.

Outra medida foi um reforço na segurança contra ataques hackers e proteção intensificada para as pessoas da região. A big tech também lançou um Alerta de SOS na Busca na Ucrânia para facilitar o acesso à informação e a recursos das Nações Unidas para refugiados e solicitantes de asilo. Outro ponto foi o ocultamento de informações em tempo real no Google Maps da Ucrânia a fim de proteger os cidadãos. Além disso, anunciou um auxílio monetário de U$ 15 milhões para ajudar nos esforços de socorro na Ucrânia.

Atualização 11/03: Além disso, o Google Play Store também suspendeu a monetização de todos os serviços pagos na Rússia, incluindo assinaturas de aplicativos.

 

Twitter

O Twitter anunciou, no dia 25 de fevereiro, medidas para conter ou moderar conteúdos no contexto da guerra. Entre as medidas está a suspensão do sistema de recomendação de pessoas que o usuário não segue na timeline de quem está em território russo ou ucraniano. Além disso, a plataforma também suspendeu conteúdo patrocinado dos dois países. A big tech também incluiu um espaço – Moments – atualizado com fontes confiáveis de informação.

Três dias depois o head de integridade do Twitter anunciou também a inclusão de rótulos em tweets que compartilham links de sites da mídia estatal russa com o intuito de “reduzir esse tipo de conteúdo no Twitter”.

Atualização 11/03: No dia 11 de março a plataforma também comunicou a inclusão de rótulos a tweets que compartilham links de meios de comunicação afiliados ao Estado da Bielorrússia, além da redução de visibilidade desse conteúdo e avisos antes do compartilhamento. Essa decisão de deu “após relatórios detalhados sobre seu papel na guerra na Ucrânia”, de acordo com o head de integridade.

Após uma semana das primeiras medidas de restrição ao conteúdo estatal russo, o Twitter informou que já observa os primeiros resultados, ele registram uma queda de 30% nas impressões em Tweets rotulados de acordo com essa política expandida.

Outras

Outras plataformas restringem conteúdo russo e se posicionaram com sanções à Rússia. A Netflix anunciou uma pausa em todos os projetos e aquisições russas, o Spotify fechou o seu escritório no país e a Apple pausou a venda de todos os seus produtos em território russo em resposta à invasão.

 

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