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fev 11, 2026 | Destaques, Notícias

Educação midiática no Brasil: projeto mapeia iniciativas pelo país

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Foi lançado na terça-feira (10) o Mapa Brasileiro de Educação Midiática, plataforma interativa que reúne e organiza 226 iniciativas desenvolvidas em todas as regiões do país. A ferramenta é uma iniciativa da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), em parceria com a Unesco, o Governo do Reino Unido e o Porvir, e foi apresentada durante uma transmissão ao vivo no canal do Porvir no YouTube.

O projeto nasceu de um processo colaborativo iniciado com a Consulta Pública sobre Educação Midiática, realizada entre 2023 e 2024, que recebeu 496 inscrições de escolas, universidades, governos locais e organizações da sociedade civil. Em 2025, a curadoria final foi consolidada com apoio técnico do Governo do Reino Unido e do Porvir. A proposta é dar visibilidade a experiências já em curso e oferecer um panorama estruturado do campo no Brasil.

Educação midiática no centro do debate democrático

O lançamento ocorre em um contexto marcado pelo alto volume de informações circulando nas redes, pela disseminação de desinformação e por diferentes formas de manipulação de conteúdo. Nesse cenário, a educação midiática tem sido apontada por pesquisadores e gestores públicos como ferramenta estratégica para fortalecer o pensamento crítico e a participação cidadã.

Durante o webinário, o diretor do Departamento de Direitos na Rede e Educação Midiática da Secom, David Almansa, afirmou que a plataforma pretende servir de base para políticas públicas. “Esse mapa é um retrato de iniciativas em educação digital e midiática no nosso país que servem como referência para a consolidação de diferentes políticas públicas que possam fazer com que esse tema seja um tema presente no dia a dia dos brasileiros e das brasileiras”, disse.

Almansa também destacou a dimensão formativa da proposta. “Educação digital e midiática é um componente importante para formar o que eu chamo de uma nova geração apta a ocupar esses espaços digitais, com a vida cada vez mais mudando para o mundo digital, ocupar esses espaços com responsabilidade, respeitando os direitos do conjunto da população e promovendo boas práticas”, afirmou.

Como funciona a plataforma

Inédito no país, o Mapa Brasileiro de Educação Midiática permite buscas por região, tipo de instituição, formato de aplicação e abordagem metodológica. A navegação é dividida entre “experiências para se inspirar” e “recursos para utilizar”, organizando tanto projetos em andamento quanto materiais e metodologias que podem ser replicados.

As iniciativas contemplam temas como desinformação, segurança digital, política e democracia, uso consciente de telas, direitos humanos, inteligência artificial, clima, cultura e jornalismo. Também variam quanto à metodologia: vão desde ações de disseminação de informações confiáveis e divulgação científica até projetos que estimulam protagonismo juvenil, produção de mídia e checagem de fatos.

Diversidade de formatos e territórios

O mapeamento inclui universidades, institutos federais, escolas, governos locais e organizações da sociedade civil. Entre os formatos identificados estão formações de professores, oficinas, pesquisas, metodologias pedagógicas, cineclubes, produtos midiáticos e materiais didáticos.

Algumas experiências destacadas durante o lançamento evidenciaram a diversidade regional e temática do campo. Participaram do webinário Marta Alencar, jornalista, doutoranda em Comunicação e fundadora da COAR Notícias (PI) – iniciativa que integra o mapeamento e atua no enfrentamento à desinformação com linguagem regional e ações educativas – e Antonia Alves, professora adjunta da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e coordenadora do projeto Educom.Indígena (MT), que estimula a produção de podcasts e reflexões sobre tecnologia em territórios indígenas.

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Também integram o mapa iniciativas como a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis (SC), que há mais de duas décadas promove formação audiovisual de professores e estudantes; a agência Vozes Daqui Parelheiros (SP), que conecta juventudes e saberes ancestrais no extremo sul da capital paulista; e o projeto Saúde na Floresta (PA), da Rede Mocoronga de Comunicação Popular, que forma jovens comunicadores ribeirinhos e indígenas articulando saúde, educação e sustentabilidade.

Lacunas e desafios

Ao comentar os resultados da curadoria, a jornalista e educomunicadora Cristiane Parente chamou atenção para a concentração de iniciativas em determinados públicos. “Destaco a importância das universidades, que desenvolvem muitos projetos, e das escolas, principalmente no ensino fundamental I, onde vimos uma quantidade muito grande de projetos de educação midiática”, afirmou.

Ao mesmo tempo, ela apontou lacunas. “A gente viu também outras questões que mereciam um olhar mais aprofundado, como poucos projetos voltados a famílias e a idosos, que é ainda uma área que a gente precisa aprofundar, seja o governo, seja a sociedade, seja iniciativas privadas que poderiam apoiar mais alguns projetos”, disse. Segundo ela, o diagnóstico oferecido pelo mapa pode orientar novos investimentos e políticas mais equilibradas.

Base para políticas públicas

Ao reunir experiências de diferentes portes e regiões, a plataforma pretende funcionar como um instrumento de consulta para educadores, gestores públicos, pesquisadores e formuladores de políticas. A expectativa dos organizadores é que o mapeamento contribua para consolidar a educação midiática como agenda estruturante, e não apenas como iniciativas isoladas.

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