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jan 4, 2023 | Destaques, Notícias

Twitter anuncia que vai permitir anúncios políticos e de causas sociais

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Em comunicado por meio da conta Twitter Safety, o Twitter disse que planeja expandir suas diretrizes sobre publicidade e permitir anúncios políticos nas próximas semanas. Esse tipo de publicidade foi banido da plataforma em 2019 e, de acordo com o site The Verge, essa mudança pode ter um grande efeito na plataforma, especialmente antes das eleições presidenciais de 2024 nos Estados Unidos.

Twitter anuncia nova política

Para Marcelo Alves, professor do Núcleo de Tecnologia de Estudos de Mídia na PUC-RIO, a medida faz parte das mudanças do novo dono da empresa, mas não só. “É um reflexo em parte de uma mudança de governança do Twitter com a entrada Elon Musk, mas também eu acho que é uma das medidas que a gente entende como um afrouxamento da governança em períodos não eleitorais”, disse Alves em entrevista ao *desinformante.

O site The Verge pontuou que a mudança se deu alguns meses depois que as principais agências de publicidade recomendaram não comprar anúncios na plataforma. Marcelo Alves pontua que é difícil colocar como uma mudança totalmente comercial sem saber o percentual das receitas que os anúncios políticos trariam, além de como as mudanças podem prejudicar a percepção dos usuários sobre a plataforma e acarretar, inclusive, na fuga de receitas.

A visão é a mesma de Tim Chambers, co-fundador e chefe da Dewey Digital. Em entrevista ao *desinformante, Chambers pontuou que antes da proibição original, em 2019, usava a plataforma para ambos os tipos de anúncios de seus clientes, mas, segundo ele, “esse foi um Twitter totalmente diferente”.

“Isso foi antes de o Twitter cair ainda mais no pântano da desinformação política que levou Dorsey [ex-CEO do Twitter] a restringir os anúncios políticos em primeiro lugar, antes da gestão Musk devastar a equipe técnica do Twitter e antes de Musk devolver contas que haviam sido banidas, tornando a plataforma ainda mais tóxica”, pontuou Chambers.

Para ele, nos últimos anos a plataforma tornou-se mais hostil e sua tecnologia de anúncios não melhorou, o que o faz considerar outras boas opções de publicidade online sem o Twitter.

Antes da gestão Elon Musk, o Twitter se destacava como uma das únicas plataformas que não permitia esse tipo de impulsionamento, tal característica foi, inclusive, apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral durante a assinatura de memorandos de entendimentos para as eleições. No anúncio, a plataforma não deu mais detalhes de quais serão as mudanças realizadas sobre as regras de publicidade política.

Para Alves, o comunicado não traz clareza do alcance e da implementação da política, mas é importante que a empresa se comprometa com transparência sobre estes anúncios. “Eu avaliaria de forma bastante temerária essa liberação sem a gente ter nenhum tipo de garantia de que ela vai seguir as mínimas boas práticas que outras plataformas já tem, como o Facebook, como o Google”, pontuou.

O professor destaca que é importante a existência de bibliotecas de anúncios com informações sobre o tipo de conteúdo que é impulsionado e a segmentação desse conteúdo.

O Twitter também anunciou que está flexibilizando a política, permitindo anúncios com base em causas nos Estados Unidos, ou seja, conteúdos com temas como mudança climática, equidade social ou vacinação poderão ser impulsionados na plataforma. Para a plataforma, essas mudanças podem “facilitar a conversa pública sobre tópicos importantes”.

“Na prática a gente sabe a implicação disso. Distorce fundamentalmente as condições e qualidade do debate público”, disse o professor da PUC-RIO. Como exemplo, Alves destacou que essa liberação pode autorizar empresas de óleo produzirem uma série de anúncios de greenwashing sobre meio ambiente, ou o impulsionamento de conteúdos com desinformação e teorias da conspiração.

O The Verge encontrou na página de políticas da rede indícios sobre o que será mudado nesse aspecto. As restrições que geralmente são impostas aos anúncios não serão adotadas para os anunciantes cujos anúncios baseados em causas segmentam apenas os Estados Unidos. Dessa forma, os anúncios sociais poderão utilizar mais mecanismos de direcionamento do público e até ter objetivos principais de “gerar resultados políticos, judiciais, legislativos ou regulatórios”. A empresa não deixou claro se essas medidas futuramente serão adotadas em outros países.

Usuários discordaram e questionaram a nova medida, que pode ser uma porta de entrada para a amplificação de desinformação e discursos negacionistas na plataforma. Um dos comentários no tweet questionava: “É por isso que recebi dois anúncios antivacina nas últimas semanas?”.

Usuário questiona a plataforma

A rede ainda anunciou que pretende , futuramente, alinhar a política de publicidade com a de televisão e outros meios de comunicação. “Como acontece com todas as mudanças de política, primeiro garantiremos que nossa abordagem de revisão e aprovação de conteúdo proteja as pessoas no Twitter. Compartilharemos mais detalhes à medida que este trabalho avance”, destacou o comunicado.

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