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mar 8, 2023 | Destaques, Notícias

Nas redes, mulheres na política ainda são julgadas pela aparência

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O debate sobre as mulheres que possuem influência no mundo político ainda se pauta em valores morais e estéticos, aponta um levantamento realizado pela Escola de Comunicação, Mídia e Informação da Fundação Getúlio Vargas (ECMI-FGV) em parceria com FGV Direito Rio, Democracy Reporting International (DRI) e a Agência Lupa. O estudo mapeou publicações sobre o tema no Twitter, Facebook e Telegram entre 13 de janeiro e 13 de fevereiro de 2023.

Os pesquisadores identificaram a proeminência de posts sobre a ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro, e a atual, Janja da Silva, nas redes sociais e concluíram que o debate enquadra as duas mulheres de forma diferente. “Enquanto a ex-primeira-dama é associada à religiosidade, fomentando a constituição do que seria uma ‘mulher ideal’ e, simultaneamente, uma pessoa com altas capacidades políticas, a atual primeira-dama é, não raro, classificada como pouco ‘refinada’ e com baixa influência política”, registra o relatório. 

Os comentários sobre a atual primeira-dama giram em torno de temas como as suas vestimentas e participação em eventos de lazer, como jogos do Flamengo e o carnaval do Rio de Janeiro. Além disso, circulam conteúdos falsos ligando Janja ao uso de drogas ilícitas. Não raro também são compartilhados posts intolerantes por suas expressões religiosas.

Sobre Janja, o relatório da FGV também aponta o recorte de classe, em que é sugestionado que a esposa do presidente não saberia se portar como a primeira-dama do país e “estaria deslumbrada com privilégios atribuídos ao cargo”.

Já o tratamento a Michelle Bolsonaro é diferenciado, de acordo com os pesquisadores. No espectro político que apoia o ex-presidente, ela é enquadrada enquanto um sujeito político de relevância para a cena nacional. Sem referência a atitudes políticas, tal entendimento parte da noção de que ela seria uma “mulher ideal” por transparecer “feminilidade”, “elegância” e “refinamento”.

No entanto, Michelle também é alvo de comentários misóginos. “Diante de denúncia de que ela teria se submetido a uma cirurgia de substituição de silicone com recursos públicos, usuários de oposição a Bolsonaro se utilizaram da acusação de corrupção para argumentar que teriam direito a ‘pegar’ nos seios da ex-primeira-dama”, ressaltou o levantamento da FGV.

Os supostos casos de corrupção relacionados à ex-primeira dama parecem ser o combustível das críticas que são dirigidas a ela no outro espectro político, como apontou um outro levantamento realizado pelo MonitorA, observatório de violência política online desenvolvido pela Revista AzMina, InternetLab e Núcleo Jornalismo. Segundo os dados correspondentes ao primeiro turno das eleições de 2022, mais da metade dos ataques à Michelle são ofensas morais com acusações de corrupção.

O relatório da FGV também traz uma análise sobre as menções às ministras do atual Governo Federal. “Marina Silva, Nísia Trindade e Simone Tebet se destacam em plataformas como Twitter e Telegram. Há, por um lado, uma noção de que tais mulheres seriam pouco qualificadas para os seus respectivos cargos. Por outro, nomes como Marina e Nísia são elogiados, principalmente, pela atuação na crise humanitária do povo Yanomami”, conclui o levantamento.

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