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Após falhas na África, Meta diz que vai priorizar 3 países em ano eleitoral

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As eleições em Senegal, Gana e África do Sul estão sendo consideradas de maior importância para a Meta na África em 2024. A informação foi dada pela gerente de Políticas Públicas para Direitos Humanos da Meta, Farai Morobane, durante um evento online realizado, nesta quarta-feira (14), pela Digital Action para discutir as condições de moderação de conteúdo nos países do continente. Neste ano, pelo menos 16 países da África vão realizar eleições.

De acordo com Farai, que atua diretamente na África subsaariana, a big tech norte-americana está empenhada em combater a desinformação e discursos de ódio no continente criando centros eleitorais. Os esforços dessas centrais, segundo a executiva, dependem do tamanho das eleições e o impacto que as plataformas da Meta têm nos respectivos países. “Dependendo da escala das eleições, o centro será diferente”, explicou.

No evento, a representante da Digital Action na Zâmbia, Bulanda Nkhowani, lembrou da falha de moderação de conteúdo do Facebook durante a guerra civil na Etiópia em 2022. Na época, a plataforma não removeu chamados de guerra e discursos de ódio contra comunidades étnicas no país, o que levou a episódios brutais de violência física. “Na Etiópia, as pessoas morreram por moderação inadequada”, avaliou a jornalista.

Em dezembro de 2022, um processo contra a rede social da Meta foi aberto no tribunal superior de Nairóbi, no Quênia, acusando o Facebook de promover o ódio viral e violência na Etiópia e de não dedicar recursos suficientes para a moderação de conteúdo no continente em comparação a outros países. Um dos peticionários, Abrham Meareg, teve seu pai assassinado na porta de casa após conteúdos desinformativos circularem na rede social.

Além disso, uma pesquisa desenvolvida em 2023 pelo Centro de Democracia e Tecnologia mostrou que os sistemas de moderação baseados em Inteligência Artificial apresentavam limitações no entendimento da língua tigrínia, falada por parte da população etíope, o que poderia impactar na identificação e remoção de conteúdo odioso.

Liz Orembo, pesquisadora da ICT África, pontuou a importância da comunicação nos idiomas regionais, já que a maioria dos votantes nos países do continente estão em áreas rurais. “Essas pessoas estão bastante suscetíveis à desinformação”, afirmou Orembo.

As disparidades de investimentos em moderação de conteúdo fora dos centros econômicos internacionais, ponto denunciado recentemente por ativistas do Oriente Médio, também ganharam destaque na fala de Bulanda Nkhowani. De acordo com a jornalista, “os planos eleitorais das plataformas estão focados nos Estados Unidos, mal atingindo o resto do mundo”.

No Senegal, país que realiza as eleições presidenciais neste domingo (24), a desinformação também tem sido um problema presente, principalmente, durante a campanha eleitoral. Como explica Khadijah El-Usman, integrante da organização Paradigm Initiative, o país tem uma tradição de comunicação por rádio e está lidando com a entrada cada vez maior de pessoas nos ambientes digitais. Com isso, portais falsos de notícias, com forte influência internacional, estão ganhando espaço na dieta informacional dessas pessoas.

“São portais de notícias sem transparência, que não apresentam  informações sobre as equipes ou as fontes de financiamento”, explicou Khadijah. “São sites que surgem de repente. As plataformas precisam se comprometer em conter essas práticas, principalmente em períodos eleitorais”.

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