Início 9 qual é o cenário 9 A disseminação de conteúdos nas redes digitais está diretamente ligada à mobilização de afetos e sentimentos, positivos ou negativos

Qual é o cenário?

set 10, 2021 | qual é o cenário

A disseminação de conteúdos nas redes digitais está diretamente ligada à mobilização de afetos e sentimentos, positivos ou negativos

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Como o próprio nome já diz, as mídias sociais são espaços de sociabilidade, ou seja, estão baseadas em conexões entre pessoas. Segundo uma das conceituações mais tradicionais, proposta pelas pesquisadoras Boyd e Elisson (2007), esses serviços se caracterizariam por (1) a construção de perfis públicos ou semi-públicos, (2) uma lista de outros usuários com quem eles compartilham conexões e (3) a possibilidade de ver a lista de conexão entre usuários. Essa lógica faz com que os laços de sociabilidade entre pessoas tornem-se ainda mais relevantes na circulação informativa.

Em um contexto onde a quantidade de produtores de informação tende ao infinito e as pessoas se informam cada vez mais por redes baseadas em sociabilidade, os afetos se tornam centrais. Não se trata mais apenas de ler ou acreditar em uma certa notícia, mas de ler ou acreditar em uma certa notícia enviada por uma prima, um amigo, uma tia e por aí vai. Além disso, a sua forma (positiva ou negativa) de perceber determinados conteúdos influi muito na sua possibilidade de apoiar a difusão (curtindo ou compartilhando, por exemplo). A mediação dos afetos e da sociabilidade passa a ser tão ou mais importante que as próprias fontes de informação.

Um dos efeitos desse processo é o que vem sendo chamado de ‘eupistemologia’ ou ‘epistemologia tribal’, no sentido de que as pessoas passam a se guiar sua percepção de verdade por atores alinhados a seus pontos de vista, ou parte do grupo social com o qual se identifica.

Além disso, há também um elemento emocional importante no conteúdo das notícias falsas. Pesquisadores do MIT descobriram que o caráter de ‘novidade’ dessas informações gera reações de surpresa e desgosto, enquanto as notícias verdadeiras provocariam tristeza, ansiedade e confiança. Esse efeito de surpresa seria um dos responsáveis pelo resultado encontrado pelos cientistas de que as notícias falsas teriam 70% mais chance de serem retuitadas do que uma notícia verdadeira.

Exemplo marcante

Pesquisadores desenvolveram um modelo que mostra como quando uma pessoa compartilha uma informação falsa, ela aumenta a exposição da sua rede de contatos a esse conteúdo, o que faz com que essas pessoas estejam mais suscetíveis à desinformação. Essa suscetibilidade, segundo os autores, vem de dois elementos. Primeiro a novidade, já que as pessoas compartilhariam mais notícias recentes e essa seria uma característica que aparece frequentemente nas notícias falsas. Isso, portanto, faria com que elas se espalhassem mais e mais rápido.

Por outro lado, eles mostram que a desinformação gera mais surpresa, medo e desgosto que a informação, o que poderia aumentar a confiança nesses conteúdos. O efeito parece ser maior quando essa reação emocional aparece conjuntamente a uma linguagem moral. Portanto, segundo os autores, mensagens que apresentam esses elementos emocionais e morais tenderiam a gerar mais confiança e a serem mais difundidas. Além disso, elas gerariam mais polarização porque as pessoas tendem a compartilhar conteúdos com outras alinhadas a seus pontos de vista.

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